Tendências 2025: uma exposição, um relatório e um lugar para pensar o futuro...

Este é um daqueles posts que chegam mais tarde do que eu gostaria. Entre projetos, investigação e uma atividade letiva particularmente intensa este ano, ficou por registar aqui um momento importante do trabalho que temos vindo a desenvolver em torno dos Estudos de Tendências. Ainda assim, chega a tempo de anteceder um novo ano letivo e de recuperar um exercício que não pertence apenas ao calendário de 2025, mas tem sido presente desde 2020, sensivelmente: observar criticamente uma cultura em permanente transformação.


A exposição pop-up Post-It no Tratado

No American Corner da FLUL realizámos a exposição pop-up Post-It no Tratado 2025, concebida como um espaço de encontro entre investigação, memória, experimentação e comunicação de tendências. A programação integrou também um documentário sobre os Estudos de Tendências e a apresentação do trabalho desenvolvido em torno do novo relatório.

A exposição procurou precisamente materializar esta leitura do presente num espaço de encontro entre investigação, memória e experimentação. Através de diferentes suportes e conteúdos, a exposição tornou visível mais de uma década de trabalho neste campo. Interessou-nos criar um dispositivo de leitura e de discussão, onde a investigação pudesse sair do formato convencional do relatório e ocupar o espaço, convocando estudantes, investigadores e visitantes a pensar criticamente sobre as mudanças culturais em curso e sobre os futuros que delas poderão emergir.



O Relatório de Tendências Entre a Aceleração e a Ruína, o Futuro tornou-se um Lugar muito Sombrio

Um dos objetos centrais desta iniciativa foi precisamente o Relatório de Tendências 2025, intitulado Entre a Aceleração e a Ruína, o Futuro tornou-se um Lugar muito Sombrio. O próprio título situa o exercício numa tensão que atravessa muitas das transformações culturais contemporâneas: entre aceleração, instabilidade e a crescente dificuldade de imaginar o futuro como espaço linear de progresso.

Entre os principais insights do relatório, emerge uma leitura de 2025 marcada pela tensão entre aceleração e ruína: um presente em que a intensificação tecnológica, a velocidade da circulação cultural e a transformação contínua das práticas convivem com sentimentos de instabilidade, fragmentação e incerteza. O futuro deixa, assim, de surgir apenas como horizonte de progresso para se tornar também um espaço de disputa, ansiedade e negociação cultural. Mais do que prever aquilo que acontecerá, o relatório procura identificar sinais, representações e mudanças de mentalidade que ajudam a compreender como indivíduos e comunidades estão a responder a este contexto, tornando visíveis as contradições que atravessam o presente.

Um relatório de tendências não deve, contudo, ser entendido como um catálogo de previsões. Interessa-nos antes como cartografia cultural situada, construída a partir da observação de sinais, práticas, discursos e representações que permitem interpretar mudanças de mentalidade e transformações socioculturais. Mais do que antecipar aquilo que acontecerá, trata-se de produzir instrumentos para compreender aquilo que já está a mudar.

À entrada de um novo ano letivo, em setembro, regressar agora às tendências culturais de 2025 parece-me particularmente pertinente. Não apenas como arquivo do que observámos, mas como possibilidade de confronto: o que permanece? O que perdeu intensidade? Que sinais ganharam entretanto outra dimensão?

Talvez seja precisamente aí que um relatório desta tipologia permanece vivo: não quando procura acertar o futuro, mas quando nos oferece linguagem e instrumentos para continuar a interrogar o presente.

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